Num
Rio de Janeiro de sete e quarenta da manhã. Andar, andar, até
chegar ao fim da fila, que continua aumentando. Em todo lugar, todas as
horas, todos querem oportunidades.
Numa Rua da Constituição de oito e trinta, esperar.
- Alguém pro seletivo do CNA aí? Me segue.
Portas
abertas, mais fila.
- Tire o boné, por favor.
[906, só aguardar...]
Ler, esperar, esperar.
[906, guichê 5]
- Bom dia. O que lhe traz aqui? (...) Ainda mora em... (...) Sexto período,
né? (...) Mudou o campus? Só trazer uma declaração.
(...) Dá quanto tempo de viagem de lá aqui? (...) Nossa!
(...) Sabe chegar no Caju? (...) Ah, sim! Então seria de tarde...
hnn... (...) Eu vejo um problema: horários... a hora em que você
sai de um lugar é a hora em que você deveria estar chegando
no outro. (...) E por que escolheu esse curso? (...) Acho melhor não
atrapalhar seu horário na faculdade. (...) Por enquanto não
há outras ofertas.
Nove e cinco da manhã.
- Não desista.
Um real e quarenta. Numa Kombi vazia, tristeza.
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