A Última Palavra  

- Mô, que dia você vai tirar esse bigode?
- Sei lá. Semana que vem, talvez.
- Semana que vem?! Ah, não!
- “Ah, não!”? Não quero tirar, ué!
- Mas... mas... prestenção... bigode... é... hmmm... esquisito.
- Esquisito?
- É.
- Caraca! Você tem noção do incomodo que é fazer a barba? Do incomodo que é o rosto todo grrr... e coçando, a sensação de parecer, sei lá, o cara mais grrr do mundo, quase um... quiabo?! Meu rosto parecendo a casca de um quiabo, coçando, espetando... é assim que eu fico!
- Mas quem tá falando em fazer a barba?! Eu falei bigode, só isso, só o bigode. Sua barba é bonitinha, não precisa tirar!
- “Bonitinha”?
- É! Eu gosto!
- Também não exagera, amor!
- Mas é sério!
- A barba é... bonitinha.
- É.
- O bigode não.
- Isso!
- Esquisito?
- Bastante.
- Mas... a barba...
- Bonitinha!
- Tá.
- Tá?
- Tá bom.
- Tá bom o quê?
- Sem bigodes.
- Vai fazer a barba?
- Barba? Quem falou em fazer-a-barba?! Ela não é... “bonitinha”? Abro mão do bigode, mas a barba fica!
- Tá bom, amor, tá bom... a barba pode ficar...
- Eu sei! Eu quero, ela fica, ué!
- Aham...
- É!

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