A lira afoita  

 

Atrás dos meus olhos, existo eu
Por eles construo-me segura
para que os pés sintam-se firmes.
Não plana, presa ou estável.
Quero a que espera, percebe, avista.

Tento tocar, incorporar a mim,
encerrar tudo seu em mim.
Tateio e abraço, afoita,
o ar da superfície.
Te moldo nos meus vincos,
deglutindo vidas e olhando o chão.

E, ao viver,
tijolo por tijolo de mim
é resultado das minhas foices e percepções.

Resta dispor-me no mundo.

(Thaila Pereira)

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