A Trapezista  

 

Tinha em si o peso de tudo.
Era nada sublime!
Cada passo abria no chão
a marca de todos seus sulcos
e cravava tábuas de xilogravura.

Contorcia-se, era, de fato.
Alegórica.

Mesmo assim,
suas lantejoulas não se faziam
vistas. Apenas por mim
já que ouço cada passo,
cada farfalhar doentio,
cada rouquidão presa em ciclos.

Infeliz que sou
Continuo presa dentro de
sua casa gorda.
Abafada.
E preventivamente
cansada
de panelas reluzentes.
No fim são espelhos de bigodes.

Só eu sinto seu cheiro.
Desfilando nua
no carro Abre-alas.

Ninguém dá a palavra.
Não há viva alma
A servir de acalento.

Atrás do borrão, a tinta velha.
E a cor é ela,
chovendo.

(Thaila Pereira)

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